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Palavras-chave: decrescimento, desenvolvimento, desenvolvimento sustentável
economia ecológica, limites ao crescimento, países em desenvolvimento, países periféricos
revisão sistemática de literatura, sul global, sustentabilidade

Resumo
O debate sobre o decrescimento constitui uma crítica ao sistema socioeconômico baseado na lógica do crescimento ilimitado e no imperativo cultural do desenvolvimento. O decrescimento propõe a redução da escala biofísica e a reestruturação da economia global, fundamentalmente nos países do Norte cuja pegada ecológica excede os limites ecológicos. O Sul aparece com menos evidência na literatura decrescentista, porém, está inevitavelmente implicado nessa discussão. Buscando contribuir para compreender as implicações do decrescimento para o Sul, esta dissertação teve por objetivo analisar como o Sul global está representado no debate acadêmico internacional sobre o decrescimento. Para cumpri-lo, foi realizado um mapeamento e uma revisão sistemática da literatura internacional sobre o tema. Para o mapeamento, foi considerada a base de dados Scopus e foram utilizados termos de busca em inglês (degrowth e de-growth). A análise das características bibliométricas dos documentos identificados mostrou a prevalência de autores de instituições de países do Norte e baixa participação do Sul global. A revisão sistemática da literatura identificou cinco eixos temáticos na abordagem do Sul pelo decrescimento. Três deles abordam Sul de maneira explícita: (i) a perspectiva biofísica, relacionada à economia ecológica, sustenta que o decrescimento no Norte deve abrir espaço ecológico para o aumento do uso de recursos no Sul sem ultrapassar os limites ecológicos globais; (ii) os aspectos políticos dos fluxos internacionais de recursos denunciam as injustiças ambientais e socioeconômicas associadas ao comércio de commodities da perspectiva da ecologia política; e (iii) o eixo das alternativas ao desenvolvimento vê convergências entre o decrescimento e cosmovisões oriundas de contextos culturais do Sul como o bem viver andino. Por outro lado, outros dois eixos identificados abordam o Sul de maneira implícita ou indireta: (iv) no eixo que trata de aspectos demográficos, o decrescimento busca se afastar de concepções malthusianas autoritárias e se aproximar de abordagens de controle populacional voluntário, sem nomear explicitamente o Sul, mas responsabilizando indiretamente as populações mais numerosas; (v) no último eixo, se argumenta que a diminuição do consumo permitiria o decrescimento do tempo de trabalho dos trabalhadores do Norte global, sem relacionar esse tipo de decrescimento aos países do Sul, onde o efeito poderia ser o oposto se houvesse aumento do consumo. Observou-se que o decrescimento do consumo da escala biofísica da economia não é recomendado ao Sul. O decrescimento da jornada de trabalho tampouco, ao passo que o decrescimento populacional pode ser associado a esse grupo de países. Tanto no Sul quanto no Norte são desejáveis alternativas autóctones ao desenvolvimento. Porém, nos cinco eixos identificados na abordagem do Sul, pouco se explora a relocalização, um processo estratégico para o decrescimento em seu sentido amplo e também para o objetivo de estabelecer relações justas entre Sul e Norte. Recomenda-se que estudos futuros considerem a relocalização ao abordar a divisão Norte-Sul no contexto do decrescimento. Sugere-se ainda que correntes do pensamento latinoamericano, que apesar de orientadas pela ideia de desenvolvimento se debruçaram sobre as relações político-econômicas entre países, podem também contribuir para discutir o decrescimento de uma perspectiva do Sul global.

(Do autor)

Title in English: Degrowth – perspectives from the global South

Keywords: degrowth, developing countries, development, ecological economics, global South, limits to growth, peripheral countries, sustainability, sustainable development, systematic literature review.

Abstract
Degrowth is a critique of a society based on the logic of limitless gowth and on the cultural imperative of development. Degrowth proposes reduction of the biophysical scale and restructuring of the global economy, notably, in the global North whose ecological footprint have overshot ecological limits. The global South appears with less evidence in the degrowth literature, however, it is unavoidably implicated in this discussion. Seeking to understand the implications of degrowth for the South, this dissertation aimed to analyze how the global South is represented in the international academic debate on degrowth. To accomplish this goal, the international literature on the subject was mapped and systematically reviewed. The database Scopus was selected for the mapping procedure and search terms were defined in English (degrowth and de-growth). The mapping showed the prevalence of authors from institutions of the North and low participation of the South. The review identified five thematic axes in the approach to the South by degrowth. Three of them approach the South in an explicit way: (i) the biophysical perspective, related to ecological economics, holds that degrowth in the North may open „ecological space“ for growth in resources use in the South without exceeding global ecological limits; (ii) the political aspects of international resource flows denounce environmental and socio-economic injustices associated with commodity trade from the perspective of political ecology; and (iii) the axis on alternatives to development sees convergences between degrowth and cosmovisions coming from cultural contexts of the South as the Andean buen vivir. On the other hand, two other identified axes approach the South in an implicit or indirect way: (iv) in the axis that deals with demographic aspects, degrowth attempts to move away from authoritarian Malthusian conceptions and get closer to voluntary population control approaches without naming the South explicitly, but indirectly charging larger populations independently of their per capita impact; and (V) in the last axis, it is argued that lower consumption would allow work-time degrowth in the North. However, this type of degrowth is not mentioned to be desired for the South, where the effect could be the opposite if there were an increase in consumption. It was observed that degrowth in consumption and of the biophysical scale of the economy is not recommended for the South. Work-time degrowth is not recommended either, while populational contraction is not associated to any of the groups of countries. Both in the South and in the North autochthonous development alternatives are desirable. It is recommended that future studies consider relocalization when addressing the North-South divide in the context of degrowth. It is also suggested that streams of Latin American thought, which although oriented by the idea of development focused on the political-economic relations between countries, may also contribute to discuss degrowth from a global South perspective.

(By the author)